terça-feira, 5 de junho de 2018

ॐ Śrī Gaṅgā Daśaharā e Nārada Muni Jayanti - Sataṅgas à Senhora da Purificação e ao Mensageiro das Estrelas


Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Nārada Muni!
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Gaṅgā Devī!

Śrī Bhagavathī Gaṅgā.

श्रीगङ्गा स्तोत्रम्
śrīgaṅgā stotram

देवि सुरेश्वरि भगवति गङ्गे त्रिभुवनतारिणि तरऌअतरङ्गे |
शङ्करमौऌइविहारिणि विमले मम मतिरास्तां तव पदकमले || १ ||
devi sureśvari bhagavati gaṅge tribhuvanatāriṇi taraḷataraṅge |
śaṅkaramauḷivihāriṇi vimale mama matirāstāṃ tava padakamale || 1 ||

“Ó Venerável Deusa Gaṅgā, Senhora dos Deuses! Tu és o rio divino do céu, você é a salvadora de todos os três mundos. Tu és puro e inquieto, adornas a cabeça do Senhor Śiva. Ó mãe! que minha mente descanse sempre junto a teus pés de lótus.”

भागीरथिसुखदायिनि मातस्तव जलमहिमा निगमे ख्यातः |
नाहं जाने तव महिमानं पाहि कृपामयि मामङ्ञानम् || २ ||
bhāgīrathisukhadāyini mātastava jalamahimā nigame khyātaḥ |
nāhaṃ jāne tava mahimānaṃ pāhi kṛpāmayi māmaṅñānam || 2 ||

“Ó Mãe Bhāgīrathī (filha de Bhāgīratha) ! Você concede felicidade a todos. O significado de tuas águas sagradas é cantado nos Vedas. Sou ignorante, incapaz de compreender tua importância. O Devi! tu és plena em misericórdia, por favor protege-me.”

हरिपदपाद्यतरङ्गिणि गङ्गे हिमविधुमुक्ताधवऌअतरङ्गे |
दूरीकुरु मम दुष्कृतिभारं कुरु कृपया भवसागरपारम् || ३ ||
haripadapādyataraṅgiṇi gaṅge himavidhumuktādhavaḷataraṅge |
dūrīkuru mama duṣkṛtibhāraṃ kuru kṛpayā bhavasāgarapāram || 3 ||

Ó Deusa! Tuas águas são tão sagradas quanto o caraṇāmṛta (a água com a qual os pés de um santo foram lavados) do Senhor Hari. Tuas ondas são brancas como a neve, a lua e as pérolas. Por favor, lava todos os meus pecados e ajuda-me a atravessar este oceano de saṃsāra (o ciclo de nascimentos e mortes).

तव जलममलं येन निपीतं परमपदं खलु तेन गृहीतम् |
मातर्गङ्गे त्वयि यो भक्तः किल तं द्रष्टुं न यमः शक्तः || ४ ||
tava jalamamalaṃ yena nipītaṃ paramapadaṃ khalu tena gṛhītam |
mātargaṅge tvayi yo bhaktaḥ kila taṃ draṣṭuṃ na yamaḥ śaktaḥ || 4 ||

“Ó Mãe! aqueles que adentram tuas águas cristalinas definitivamente atingem o mais elevado estado. Ó Mãe Gaṅgā! Yama (Senhor da Morte) não pode prejudicar teus devotos.”

पतितोद्धारिणि जाह्नवि गङ्गे खण्डित गिरिवरमण्डित भङ्गे |
भीष्मजननि हे मुनिवरकन्ये पतितनिवारिणि त्रिभुवन धन्ये || ५ ||
patitoddhāriṇi jāhnavi gaṅge khaṇḍita girivaramaṇḍita bhaṅge |
bhīṣmajanani he munivarakanye patitanivāriṇi tribhuvana dhanye || 5 ||

“Ó Jāhnavī (filha do sábio Jahnu)! A fluência de tuas águas através dos Himalaias torna-te ainda mais bela. Tu és Mãe de Bhīṣma e filha do sábio. És a salvadora das almas desviadas de seu caminho, e então és reverenciada em todos os três mundos.”

कल्पलतामिव फलदां लोके प्रणमति यस्त्वां न पतति शोके |
पारावारविहारिणि गङ्गे विमुखयुवति कृततरलापाङ्गे || ६ ||
kalpalatāmiva phaladāṃ loke praṇamati yastvāṃ na patati śoke |
pārāvāravihāriṇi gaṅge vimukhayuvati kṛtataralāpāṅge || 6 ||

“Ó Mãe! Tu realizas todos os desejos daqueles a ti dedicados. Aqueles que se curvam-se a ti não precisam afligir-se. Ó Gaṅgā! Tu anseias para se fundir com o oceano, assim como uma jovem anseia em conhecer seu amado.”

तव चेन्मातः स्रोतः स्नातः पुनरपि जठरे सोपि न जातः |
नरकनिवारिणि जाह्नवि गङ्गे कलुषविनाशिनि महिमोत्तुङ्गे || ७ ||
tava cenmātaḥ srotaḥ snātaḥ punarapi jaṭhare sopi na jātaḥ |
narakanivāriṇi jāhnavi gaṅge kaluṣavināśini mahimottuṅge || 7 ||

“Ó Mãe! aqueles que se banham em tuas águas não precisam nascer novamente. Ó Jāhnavī! Tu és prezada na mais elevada estima, destróis os pecados de teus devotos e os salva do inferno.”

पुनरसदङ्गे पुण्यतरङ्गे जय जय जाह्नवि करुणापाङ्गे |
इन्द्रमुकुटमणिराजितचरणे सुखदे शुभदे भृत्यशरण्ये || ८ ||
punarasadaṅge puṇyataraṅge jaya jaya jāhnavi karuṇāpāṅge |
indramukuṭamaṇirājitacaraṇe sukhade śubhade bhṛtyaśaraṇye || 8 ||

“O Jāhnavī! tu és plena em compaixão, purificas teus devotos com tuas águas sagradas. Teus pés estão adornados com as gemas da coroa de Indra (Rei dos Deuses), aqueles que buscam refúgio em ti são abençoados com a felicidade.”

रोगं शोकं तापं पापं हर मे भगवति कुमतिकलापम् |
त्रिभुवनसारे वसुधाहारे त्वमसि गतिर्मम खलु संसारे || ९ ||
rogaṃ śokaṃ tāpaṃ pāpaṃ hara me bhagavati kumatikalāpam |
tribhuvanasāre vasudhāhāre tvamasi gatirmama khalu saṃsāre || 9 ||

“Ó Bhagavatī! remove minhas doenças, tristezas, dificuldades, pecados e atitudes erradas. Tu és a essência dos três mundos. És como um colar ao redor da Terra. Ó Deusa! tu sozinha é meu refúgio neste saṃsāra.”

अलकानन्दे परमानन्दे कुरु करुणामयि कातरवन्द्ये |
तव तटनिकटे यस्य निवासः खलु वैकुण्ठे तस्य निवासः || १० ||
alakānande paramānande kuru karuṇāmayi kātaravandye |
tava taṭanikaṭe yasya nivāsaḥ khalu vaikuṇṭhe tasya nivāsaḥ || 10 ||

“Ó Gaṅgā! aqueles que buscam a felicidade te adoram. Tu és a fonte de felicidade para Alakapurī (cidade onde nasce o Rio Alakānandā), és a fonte de felicidade eterna. Aqueles que residem em seus bancos são tão privilegiados quanto aqueles que vivem em Vaikuṇṭha (o plano celestial de Śrī Viṣṇu).”

वरमिह नीरे कमठो मीनः किं वा तीरे शरटः क्षीणः |
अथवाश्वपचो मलिनो दीनस्तव न हि दूरे नृपतिकुलीनः || ११ ||
varamiha nīre kamaṭho mīnaḥ kiṃ vā tīre śaraṭaḥ kṣīṇaḥ |
athavāśvapaco malino dīnastava na hi dūre nṛpatikulīnaḥ || 11 ||

“Ó Deusa! É melhor viver em tuas águas como uma tartaruga ou um peixe, ou viver em suas margens como pobre pária sem-casta, do que viver longe de ti como um rei próspero.”

भो भुवनेश्वरि पुण्ये धन्ये देवि द्रवमयि मुनिवरकन्ये |
गङ्गास्तवमिमममलं नित्यं पठति नरो यः स जयति सत्यम् || १२ ||
bho bhuvaneśvari puṇye dhanye devi dravamayi munivarakanye |
gaṅgāstavamimamamalaṃ nityaṃ paṭhati naro yaḥ sa jayati satyam || 12 ||

“Ó Senhora do Universo! Tu purifica-nos. Ó Filha do muni Jahnu! aquele que recita este Gaṅgā Stotram todos os dias, definitivamente alcança o sucesso.”

येषां हृदये गङ्गा भक्तिस्तेषां भवति सदा सुखमुक्तिः |
मधुराकन्ता पञ्झटिकाभिः परमानन्दकलितललिताभिः || १३ ||
yeṣāṃ hṛdaye gaṅgā bhaktisteṣāṃ bhavati sadā sukhamuktiḥ |
madhurākantā pañjhaṭikābhiḥ paramānandakalitalalitābhiḥ || 13 ||
“Aqueles que têm devoção pela Mãe Gaṅgā sempre obtêm felicidade e alcançam a liberação. Este lindo louvor lírico é uma fonte de suprema felicidade.”


गङ्गास्तोत्रमिदं भवसारं वांछितफलदं विमलं सारम् |
शङ्करसेवक शङ्कर रचितं पठति सुखीः तव इति च समाप्तः || १४ ||
gaṅgāstotramidaṃ bhavasāraṃ vāṃchitaphaladaṃ vimalaṃ sāram |
śaṅkarasevaka śaṅkara racitaṃ paṭhati sukhīḥ tava iti ca samāptaḥ || 14 ||


“Este Gaṅgā Stotram, escrito por Śrī Ādi Śaṅkarācārya, devoto do Senhor Śiva, purifica-nos e realiza todos os nossos desejos.”

Śrī Gaṅgā Devī (श्रीगङ्गाडेवी) é a personificação do Rio Ganges, o mais sagrado rio da Índia. É a Senhora da purificação, que limpa o coração e remove o karman, aproximando as almas de mokṣa – a liberação do saṃsāra, o ciclo de nascimentos e mortes.

Neste mês de junho, nos Templos Polimata de Campinas (09/06), Mairiporã (16/06) e Boituva(30/06), celebraremos a enaltecedora Gaṅgā Daśaharā em nossos satsaṅgas. Trata-se do festival de celebração da descida de Śrī Gaṅgā, a Senhora da Purificação, à Terra.

Adicionalmente, honraremos as Glórias de Nārada Muni, o famoso mensageiro vaiṣṇava das estrelas, que carrega o amor e devoção por entre os planos astrais, e que é tido por algumas tradições como o fundador do hinduísmo em nosso planeta. Um texto completo sobre o mesmo será publicado em breve.

Śrī Nārada Muni.

A Gaṅgā Daśaharā é celebrada por toda a Índia, entre os meses de maio e junho, enaltecendo a manifestação da Mãe Tripathagādevī (“a deusa que atravessa os três mundos – causal, espiritual e material) em nosso planeta, que desce do plano celestial aos cabelos de Śrī Śiva, atendendo a um profundo clamor de misericórdia, realizado pelo Rei Bhagīratha.

Celebração da Gaṅgā Daśaharā no Hara Ki Paura, na cidade de Haridvāra (Haridwar), local onde a Senhora da Purificação desce do plano celestial sobre as madeixas de Śrī Śiva.

Na tradição Śakta, Śrī Bhagavatī Gaṅgā é uma das sete śaktis da Suprema Absoluta Ādi Paraśakti. Auspiciosamente, acompanha os três membros da Trimūrti, a trindade masculina do panteão hindu: Śrī Brahmā, Śrī Viṣṇu e Śrī Śiva.

Junto à Śrī Viṣṇu, é conhecida como Viṣṇupadī (Aquela que emana dos pés de lótus do Senhor), devido a um passatempo realizado por Śrī Vāmana, o anão – a quinta encarnação de Śrī Bhagavan – que, ao medir o tamanho do Universo com a abertura de suas pernas, abre neste um pequeno buraco com seu dedão esquerdo, que permite a entrada de Kāraṇārṇava (o Oceano Causal) sob a forma do Rio Ganges. Daí, flui para  Brahmaloka, a morada de Śrī Brahmā, onde se mantém por um longo período, para então adentrar em nosso planeta (Bharataloka), personificado como Śrī Gaṅgā, onde é recebida por Śrī Śiva, de quem também é consorte.


Śrī Vāmana, realizando o passatempo Trivikrama, que liberou o fluxo de Śrī Gaṅgā.

Está montada em Makara, o crocodilo, símbolo de proteção e devoção. A flor de lótus e o kamaṇḍalu (pote de água utilizados por brahmanas e ascetas) representam a purificação e as mudrās emanam a benevolência (varada) e o destemor (abhaya).

Sua descida à Terra se deu através das preces e sacrifícios executados em honra à Śrī Brahmā por Bhagīratha – cujo nome pode ser livremente traduzido como “aquele que realiza um grande árduo trabalho” – um virtuoso rei do estado de Kosala e antepassado de Śrī Rāma.

Este processo de mil anos foi necessário para a libertar as almas de seus sessenta mil tios-avôs de uma maldição proferida pelo Kapila Ṛṣi – famoso sábio fundador da Filosofia Sāṃkhya –, que os pulveriza com apenas um olhar, como castigo por terem-no acordado de seu profundo transe e por causarem uma onda de destruição da natureza, enquanto buscavam um cavalo sequestrado por Indra, o temperamental Rei dos Devas, Senhor da Tempestade.

Após a conclusão dos sacrifícios (tapas), Śrī Brahmā concede um pedido a Bhagīratha, que solicita um rio divino para realizar uma cerimônia, com o intuito de libertar as almas de seus antepassados. Tarefa esta que já havia sido almejada por outros reis de Kosala, sem sucesso. Tal desequilíbrio vinha causando diversos desastres naturais na região.

Śrī Gaṅgā Devī então é enviada por Śrī Brahmā, descendo com enorme força do plano celestial (svargaloka), visto que após eras sendo constantemente adorada pelos Devas, desenvolveu grande vaidade. Assim, sua correnteza era tamanha que, caso tocasse diretamente a Terra, causaria grande destruição em nosso plano (bhuvarloka).

Śrī Śiva, então, se põe misericordiosamente no caminho de Śrī Gaṅgā e amortece sua descida com seus cabelos, o que lhe dá o título de Gaṅgādhara (Aquele que recebe Gaṅgā), purificando-a de sua soberba. Todavia, Ela ainda destrói o monastério do sábio Jahnu que, irado, engole a Devī e só a liberta após a insistência dos outros Devas, lhe rendendo o título de Jāhnavī (“filha de Jahnu”).

Śrī Patitoddhāriṇī, "aquela que descendeu à Terra", e Śrī Gaṅgādhara ao centro. Abaixo, o Rei Bhagīratha.

Posteriormente, Bhagīratha guia Śrī Gaṅgā pelo território indiano e através submundo, onde encontravam-se as cinzas dos seus sessenta mil tios-avôs, libertando-os aos céus. Assim, por atravessar Svargaloka (o plano celestial), Pṛthvī (a Terra) e Pātāla (o submundo), Ela também é conhecido como Tripathagā (Aquela que flui dos céus às regiões mais baixas”).

Como Mãe, Śrī Gaṅgā é Aquela que aceita e purifica a todos. Enquanto śakti, é a potência da fertilidade do aspecto criador de Śrī Mahādeva, que se movimenta eternamente. Divina, é água e pode ser sentida e absorvida mais facilmente neste plano menos sutil. Ademais, seu processo de descida do plano celestial (avataraṇa) não se deu diretamente, uma única vez, mas continua a acontecer, num fluxo contínuo dos céus à Terra.

Desta forma, o festival recebe o nome de Daśaharā – onde, em sânscrito, daśa significa ”dez” e hara conota a ideia de “derrota”, “superação”. Assim é chamado pois, nesta data, o processo devocional à Śrī Śuddhā (“aquela que é pura”) torna possível a seus devotos (bhaktas) a erradicação de até dez resultados negativos das ações passadas (karman).

Esta comemoração evoca a Senhora Jāhnavī (“a filha de Jahnu Muni”), principalmente, em sua qualidade Mahāpātakanāśinī, “a grande destruidora dos pecados”, capaz de abluir o sofrimento – considerando o estágio de evolução espiritual, que varia de pessoa para pessoa – daqueles que rendem-se à sua infinita benevolência.

Assim sendo, a celebração da Gaṅgā Daśaharā envolve profunda introspecção, relacionada à reflexão acerca de nossas ações. Permite-nos, então, observar como o Universo responde aos nossos movimentos, para que possamos realizar, de fato, a qualidade de nossas intenções e o nível sincero de nossos esforços.

Portanto, a purificação concedida por Śrī Pāpahantrī (“aquela que destrói as vicissitudes”) depende da transcendência de nossas próprias limitações. Esta, por sua vez, é fruto da sabedoria conquistada por aqueles que reconhecem o karman – neste caso, encarado em seu significado neutro, como o fruto da experiência de interação com o Universo, e não com a conotação negativa usualmente adotada para este termo – como a mais poderosa ferramenta cósmica de aprendizado.

Śrī Gaṅgā na cidade de Hṛṣīkeśa (Rishkesh).

Invocações mântricas para o ritual:
गायत्री  
gāyatrī (métrica védica de 24 sílabas, usualmente utilizada na invocação das Deidades)


ॐ त्रिपथगामिन्यै विद्महे
रुद्रपत्न्यै च धीमहि ।
तन्नो गङ्गा प्रचोदयात् ॥

oṃ tripathagāminyai vidmahe 
rudrapatnyai ca dhīmahi 
tanno gaṅgā pracodayāt

”Contemplamos Aquela que descende do plano celestial aos planos inferiores,
Meditamos na Esposa de Rudra
Reverenciamo-nos àquela que flui vivazmente, para que nos ilumine com sabedoria.”

बीजमन्त्र   
bījamantra (contém a sílaba mística raiz da Deidade – para ser repetido 108 vezes na contagem da japamālā)


ॐ गं गङ्गायै नमः

oṃ gaṃ gaṅgāyai namaḥ

“Reverencias àquela que flui vivazmente.”

Sobre o bījagaṃ”: sílaba que remete a movimento, pureza, e renovação.

      Mais informações e ingressos antecipados no Site da Ordem Polimata.

      Acompanhe nossos eventos pelo Facebook através da Agenda Polimata.

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!

Todas as Glórias à Śrī Nārada Muni!

Todas as Glórias à Śrī Śrī Gaṅgādevī!

Minhas mais humildes, sinceras e profundas reverências,
                                                                                      
Yuri D. Wolf

 स्नेह एवोत्तरम् ।
ज्योतिरेव मार्गः ॥


terça-feira, 8 de maio de 2018

ॐ Śrī Nṛsiṃha Caturdaśī - Satsaṅgas ao Matador de Demônios


Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Nṛsiṁhadeva!


 नृसिंह अभयमन्त्र

Nṛsiṁha Abhayamantra – invocação da superação do medo (abhaya) de Prahlāda à Śrī Nṛsiṃha, presente no Śrīmad Bhāgavatam (Canto V, 18.8)
ॐ नमो भगवते नरसिंहाय
नमस् तेजस्-तेजसे ऽविराविर्भव
वज्रनख वज्रदंष्ट्र कर्माशयान्
रन्धय रन्धय तमो ग्रस ग्रस ॐ स्वाहा
अभयम् अभयम् आत्मनि भूयिष्ठा ॐ क्ष्रौम्

o namo bhagavate narasiṁhāya
namas tejas-tejase’vir-āvirbhava
vajranakha vajradaṁṣṭra karmāśayān
randhaya randhaya tamo grasa grasa o svāhā.
abhayam abhayam ātmani bhūyiṣṭhā o kṣraum.

“Ofereço minhas humildes reverências ao Senhor Nṛsiṃha, a fonte de todo o poder. Ao Senhor que possui garras e presas que são como raios, peço humildemente que derrote nossos desejos demoníacos por atividades fruitivas neste mundo material. Peço humildemente que surja em nossos corações e varra a ignorância para que, através de Vossa misericórdia, possamos transcender o medo na luta pela existência neste mundo material.”

Neste mês de maio, no Templo Polimata, celebraremos a grandiosa Nṛsiṃha Caturdaśī em nossos Satsaṅgas em nossos Templos em Boituva (12/05), Mairiporã (19/05) e Campinas (26/05). Trata-se do advento (aparecimento) de Śrī Nārasiṃha, o venerável matador de demônios.

Śrī Nṛsiṃha (श्रीनृसिंह, em sânscrito, onde nṛ/nāra = homem; siṃha = leão), é a quarta encarnação de Śrī Viṣṇu, e personifica a Ira Divina. É conhecido como o grande protetor dos devotos de coração puro dentro do caminho transcendental vaiṣṇava.

Nīlacakra, representação do Senhor Nārasiṃha no topo do Templo de Śrī Jagannātha, em Purī.

Sua manifestação se deu a partir do desequilíbrio cósmico causado pelo rei-demônio Hiraṇyakaśipu (hiraṇya = feito de ouro, dourado; kaśipu = assento), um ser provido de enorme ganância e insaciável anseio pelos prazeres mundanos, que se tornou incrivelmente poderoso a partir de grandes austeridades meditativas realizadas à Śrī Brahmā.

Seu irmão mais velho, o demônio Hiraṇayakṣa (“aquele que tem os olhos dourados”) já havia realizado o mesmo processo anteriormente, adquirindo poderes que permitiram-no conquistar o céu e aterrorizar a Mãe Terra. Assim, Hiraṇayakṣa teve de ser aniquilado por Śrī Vārāha, o javali: a terceira encarnação de Śrī Viṣṇu.

Quando Hiraṇyakaśipu parte para iniciar seu processo de austeridades à Śrī Brahmā, sua esposa, Kayādu, é raptada por Indra, o Senhor da Tempestade, rei dos céus e inimigo dos asuras, raça de Hiraṇyakaśipu. Nārada Muni, então, intervém e acolhe moça, que gerava um filho em seu ventre.

Enquanto cuidava de Kayādu, Nārada cantava constantemente o Santo Nome de Śrī Viṣṇu, como de costume. Percebeu então que a criança, ainda em gestação, respondia ao processo devocional (bhakti) por ele praticado. Estava ali plantada uma semente, no coração do bebê Prahlāda (cujo nome pode ser livremente traduzido do sânscrito como alegria, felicidade).

Neste meio tempo, Hiraṇyakaśipu concluiu suas austeridades e recebeu a visita de Śrī Brahmā, que lhe oferece uma bênção sob a forma de um desejo.

De princípio, pede à Śrī Brahmā o dom da imortalidade. Porém, uma vez que o próprio Senhor Brahmā não é imortal, o mesmo não poderia conceder tal pedido.

Assim, com o objetivo de alcançar virtualmente a imortalidade, o asura solicitou uma série de particularidades para proteger-se, não podendo ser morto por nenhuma entidade criada por Śrī Brahmā ou pelas mãos de nenhum demônio, semideus ou animal, nem de dia, nem à noite, nem dentro, nem fora de nenhuma residência, não podendo estar no chão, nem no ar, ou virado face a nenhuma das quatro direções, por nenhuma arma de metal ou por efeito de nenhum tipo de veneno.

Assim, Hiraṇyakaśipu conquistou os três planos: bhū (o plano físico), bhuvāḥ (o plano astral) e svaḥ (o plano celestial), subvertendo a ordem natural, autoproclamando-se supremo e exigindo devoção por parte de todas as entidades.

Na contramão de todo o caos instaurado pelo asura, o jovem Prahlāda se encontra no processo transcendental junto à Śrī Viṣṇu, negando devoção ao pai-demônio. Tal ato provoca a ira de Hiraṇyakaśipu, que decide ceifar a vida de seu filho. Em diversas oportunidades, ordena atentados contra a criança santa que, entoando o nome de Śrī Nārayaṇa, era agraciada com uma bênção que o livrava do perigo, como, por exemplo, sob o estouro de uma manada de elefantes, à beira de um penhasco, em alto mar ou numa grande pira incandescente.

Consternado com o insucesso das várias investidas, Hiraṇyakaśipu decide por assassinar a criança ele mesmo. Numa tentativa de intimidar Prahlāda, o asura exibe diversas armas místicas de grande poder, ordenando que o menino renunciasse à sua fé em Śrī Viṣṇu e se prostrasse a seus pés. Este, inabalável, reafirma decididamente sua devoção, explicando que não temia o demônio, pois Śrī Viṣṇu já o havia protegido inúmeras vezes. Disse que, inclusive, o mesmo era onipresente e que estava ali, naquele momento, para protegê-lo uma vez mais.

Hiraṇyakaśipu não compreende a afirmação de Prahlāda e aponta para uma pilastra, questionando incredulamente se ali também se encontrava Śrī Viṣṇu. O menino responde afirmativamente e, então tomado pela ira, o asura quebra a estrutura. Desta, materializa-se Śrī Nṛsiṃha.

Ao se deparar com Deus, encarnado em uma forma metade leão, metade homem, não criada por Śrī Brahmā, Hiraṇyakaśipu realizou sua desgraça. O combate foi deflagrado ao crepúsculo, que não se enquadra nem como dia, nem como noite. Rapidamente Śrī Nṛsiṃha surra o demônio até levá-lo para o meio de uma janela, que permite a ambos não estarem nem dentro e nem fora da residência. Assim, posiciona o asura sobre seu joelho e mirando o céu, já que esta não poderia ser morto nem no chão, nem no ar, nem voltado para nenhuma das quatro direções. Finalmente, considerando que Hiraṇyakaśipu não poderia ser morto por nenhuma arma ou veneno, Śrī Nṛsiṃha o estripa com suas dilacerantes garras leoninas.

Por fim, Śrī Nṛsiṃha transforma-se em Śrī Viṣṇu e abençoa Prahlāda, coroando-o soberano do reino conquistado pelo pai-demônio.

Assim, a encarnação do Deus-Leão nos ensina o valor da verdadeira fé, aquela que transcende os desejos e perigos e ilusões do mundo material, e que é capaz de iluminar e firmar o coração dos homens no caminho do amor, até nas mais obscuras adversidades.

Sobre sua iconografia, de acordo com o Vihagendra Samhitā (4.17), Deus-Leão possui mais de setenta formas diferentes, das quais nove são destacadas:

1.     Ugra-Nṛsiṃha: o feroz, em sânscrito. É representado sentado, e pode estar dilacerando o corpo de Hiraṇyakaśipu sobre seu colo;

Ugra-Nṛsiṃha
2.     Krodha-Nṛsiṃha: o irado, em uma mistura com Śrī Vārāha. Aparece com os dentes extrudidos, segurando a Mãe Terra entre seus dentes;

Krodha-Nṛsiṃha

3.     Malola-Nṛsiṃha: “o amante da Deusa”, uma de suas formas mais calmas, representado com Śrī Lakṣmī em seu colo;

Malola-Nṛsiṃha

4.     Jvālā-Nṛsiṃha: “em chamas”. Similar à Ugra-Nṛsiṃha, porém dotado de oito braços, nos quais dois seguram o asura, dois dilaceram seu estômago, dois seguram os intestinos do mesmo como uma guirlanda e os dois remanescentes seguram śaṅkha (a concha) e cakra (o disco);
Jvālā-Nṛsiṃha

5.     Vārāha-Nṛsiṃha: representado ao lado de Śrī Vārāha, em um híbrido com aspecto abstrato.
Vārāha-Nṛsiṃha
6.     Bhārgava-Nṛsiṃha: similar à Ugra-Nṛsiṃha, concedeu uma importante bênção à Śrī Paraśurāma, a quinta encarnação de Śrī Viṣṇu;

Bhārgava-Nṛsiṃha
7.     Karanja-Nṛsiṃha: referente a um passatempo de Śrī Hanumān, que executou um sacrifício sob uma árvore Karanja para obter uma visão mística do Senhor Rāma, a sexta encarnação de Śrī Viṣṇu. Possui um arco e detalhes humanos em seu rosto;

Karanja-Nṛsiṃha
8.     Yogānanda-Nṛsiṃha: retratado em postura ióguica, remete aos ensinamentos referentes à meditação passados para Prahlāda;

Yogānanda-Nṛsiṃha

9.     Pāvana-Nṛsiṃha: o purificador, encontra-se sentado com śaṅkha (a concha) e cakra (o disco).
Pāvana-Nṛsiṃha 
Invocações Mântricas 
श्रीनृसिंह महामन्त्र
Śrī Nṛsiṁha Mahāmantra

औं उग्रं वीरं महाविष्णुं
ज्वालान्तं सर्वतो मुखम्

नृसिंहं भीषनं भद्रं
मृत्युर् मृत्युं नमाम्यहम्


auṃ ugraṃ vīraṃ mahāviṣṇuṃ
jvālāntaṃ sarvato mukham

nṛsiṃhaṃ bhīṣaṇaṃ bhadraṃ
mṛtyur-mṛtyuṃ namāmyaham


Reverencio-me à furiosa e mais intrépida personalidade daquele que tudo permeia, cujas chamas estão por toda parte, o Homem-leão, que é terrível e auspicioso, a morte da pópria morte.

श्रीनृसिंह प्रणाम
Śrī Nṛsiṃha Praṇāma – mantra de reverência à Śrī Nṛsiṃha

नमस्ते नरसिंहाय
प्रह्लादह्लाददायिने
हिरण्यकशिपोर् वक्षः
शिलाटङ्क नखालये

namaste narasiṁhāya
prahlādahlādadāyine
hiraṇyakaśipor vakṣaḥ
śilāṭaṅka nakhālaye

इतो नृसिंहः परतो नृसिंहो
यतो यतो यामि ततो नृसिंहः
बहिर् नृसिंहो हृदये नृसिंहो
नृसिंहं आदिं शरणं प्रपद्ये

ito nṛsiṃhaḥ parato nṛsiṃho
yato yato yāmi tato nṛsiṃhaḥ
bahir nṛsiṁho hṛdaye nṛsiṃho
nṛsiṁhaṃ ādiṃ śaraṇaṃ prapadye

तव करकमलवरे नखम् अद्भुतश्र्ङ्गं
दलितहिरण्यकशिपुतनुभृङ्गम्
केशव धृतनरहरिरूप जय जगदिश हरे

tava karakamalavare nakham adbhutaśrṅgaṃ
dalitahiraṇyakaśiputanubhṛṅgam
keśava dhṛtanaraharirūpa jaya jagadiśa hare

जय नृसिंहदेव जय नृसिंहदेव
जय नृसिंहदेव जय नृसिंहदेव ।
जय प्रह्लादमहरज जय प्रह्लादमहरज
जय प्रह्लादमहरज जय प्रह्लादमहरज ॥

jaya nṛsihadeva jaya nṛsihadeva
jaya nṛsihadeva jaya nṛsihadeva
jaya prahlāda mahārāja  jaya prahlāda mahārāja
jaya prahlāda mahārāja  jaya prahlāda mahārāja


“Reverencio-me ao Senhor Nṛsiṁha, que abençoa Prahlāda e cujas garras são cinzéis sobre pedra, no peito de Hiraṇyakaśipu.
O Senhor Nṛsiṁha está em todo lugar, onde quer que se vá. Está dentro e fora do coração. Rendo-me ao Senhor Nṛsiṁha, a origem de todas as coisas e o Refúgio Supremo.
Ó, Keśava (aquele que tem longos cabelos, ou uma juba), Senhor do Universo. Todas as Glórias, Ó Hari, Aquele que assumiu a forma metade homem, metade leão. Como se pode facilmente esmagar uma vespa nas mãos, o corpo de Hiraṇyakaśipu foi dilacerado por suas afiadas garras em suas belas mãos de lótus.
Todas as Glórias ao Senhor Nṛsiṁha
Todas as Glórias ao Senhor Prahlāda Mahārāja”.

श्रीनृसिंह गायत्री
Śrī Nṛsiṃha Gāyatrī– mantra de invocação da Deidade

ॐ वज्रनखाय विद्महे
तिक्ष्णदंष्ट्राय धीमहि ।
तन्नो नारसिंहः प्रचोदयात् ॥

o vajranakhāya vidmahe
tikṣṇadaṃṣṭrāya dhīmahi
tanno nārasiṃhaḥ pracodayāt

“Meditamos no naquele cujas garras são como raios, contemplamos aquele cujas presas são muito afiadas.
Reverenciamo-nos ao homem-leão, para que nos ilumine com sabedoria”.

श्रीनृसिंह बीजगयत्रि

Śrī Nṛsiṃha bījamantra – manta de repetição
क्ष्रौं नारसिंहाय नमः
o kṣraum nārasihāya namaḥ

“Reverencio-me ao homem-leão”.

- Sobre o bīja kṣraum: é um som seminal do Deus-leão, cuja força reside invoca a superação do medo diante das situações mais obscuras, como também a liberação de energia reprimida e a destruição de poderes demoníacos.

Śrī Nṛsiṃha em toda a sua bondade.

Mais informações e ingressos antecipados no Site da Ordem Polimata.
Acompanhe nossos eventos pelo Facebook através da página Agenda Polimata.

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!

Todas as Glórias à Śrī Śrī
Nṛsiṁhadeva!

Minhas mais humildes, sinceras e profundas reverências,

Yuri D. Wolf

 स्नेह एवोत्तरम् ।
ज्योतिरेव मार्गः ॥