quarta-feira, 11 de julho de 2018

ॐ Śrī Rādhākṛṣṇa - Satsaṅgas à Dança do Infinito Amor Incondicional


Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Rādhākṛṣṇa


A sublime dança de amor entre o Absoluto e sua Potência.

राधे जय जय माधवदयिते
rādhe jaya jaya mādhava-dayite
Composto por Rūpa Gosvāmī

राधे जय जय माधवदयिते ।
गोकुलतरुणीमण्डलमहिते ॥
rādhe jaya jaya mādhava-dayite ।
gokula-taruṇī-maṇḍala-mahite
“Ó Rādhā! A amada de Madhava (Śrī Kṛṣṇa, como o matador do demômio Madhu)! Tu que és adorada por todas as jovens garotas de Gokula! Todas as glórias a ti! Todas as glórias!”

दामोदररति वर्धनवेशे ।
हरिनिष्कुटवृन्दाविपिनेशे ॥
dāmodara-rati-vardhana-veśe ।
hari-niṣkuṭa-vṛndā-vipineśe ॥
“Tu que te vestes de tal maneira a aumentar o amor e o apego do Senhor Damodara (Śrī Kṛṣṇa, como o garoto travesso misericordioso) por ti! Ó rainha de Vṛndāvana, que é o bosque de prazeres do Senhor Hari (Śrī Kṛṣṇa, como aquele que perdoa todos os atos pecaminosos)!”

वृषभानूदधिनवशशिलेखे ।
ललिता-सखि गुण-रमित-विशाखे ॥
vṛṣabhānūdadhi-nava-śaśi-lekhe ।
lalitā-sakhi guṇa-ramita-viśākhe ॥
“Ó lua nova que surgiu do oceano do rei Vṛṣabhanu! Ó amigo de Lalita (uma das 8 principais gopīs)! Tu que fazes Viśakha (outra das 8 principais gopīs) fiel a ti devido às tuas maravilhosas qualidades de amizade, bondade e fidelidade a Śrī Kṛṣṇa!”

करुणांकुरुमयि करुणाभरिते ।
सनक-सनातन-वर्णित-चरिते ॥
karuṇāṃ kuru mayi karuṇā-bharite ।
sanaka-sanātana-varṇita-carite.॥

“Ó tu, que és plena em compaixão! Ó tu, cujas características divinas são descritas pelos grandes sábios Sanaka e Sanātana (dois famosos sábios)! Ó, Rādhā, por favor seja misericordiosa comigo!”

Neste mês de julho, nos Templos Polimata de Boituva (14/07), Mairiporã(21/06) e Campinas (28/06), celebraremos a manifestação do amor universal infinito e incondicional personificado em Śrī Rādhākṛṣṇa.

Dentro da tradição vaiṣṇava, mais especificamente na Gauḍīya, Vallabha e Nimbārka sampradāyas (tradições filosóficas), Śrī Rādhākṛṣṇa representa a combinação suprema dos aspectos masculino e feminino de Deus, onde Śrī Kṛṣṇa, o oitavo avatāra (encarnação divina) de Śrī Viṣṇu, representa a própria personalidade de Deus, e Śrī Rādhā, sua consorte (uma das encarnações de Śrī Lakṣmī) representa śakti: a potência do êxtase do Amor Divino, que conecta criador e criatura. As duas manifestações, masculina e feminina, unidas, representam o Divino em sua totalidade.

Na etimologia sânscrita, rādhā significa “sucesso”, “prosperidade”, e também está relacionada com o termo “bondade”, podendo ser livremente traduzido como “Esplendorosa”. Naturalmente, reflete a doçura da personalidade celestial de Śrī Rādhārāṇī.


Śrī Rādhā, em todo o seu esplendor.

Já a palavra kṛṣṇa significa “preto”, literalmente. Porém, o termo também está associado à personalidade toda-atraente de Śrī Kṛṣṇa, a manifestação divina que personifica o prazer transcendental.

O relacionamento entre ambos foge do padrão tradicional das escrituras de orientação vaiṣṇava. O casal divino que precedeu Śrī Rādhākṛṣṇa foi Śrī Sītā-Rāma (a consorte, manifestação de Śrī Lakṣmī, e sétima encarnação de Śrī Viṣṇu, respectivamente), representava o zelo pela moral e discrição, um casal firmemente orientado pelos costumes da sociais, com o compromisso selado pelo casamento tradicional.

Já o caso de amor de Śrī Rādhākṛṣṇa nunca foi consumado pelo fogo do casamento. Śrī Kṛṣṇa possuía outras esposas principais, Rukmiṇī e Satyabhāma, com quem constituiu família.

Junto à Śrī Rādhā, o Senhor Kṛṣṇa desenvolveu uma relação de profundo amor baseada em uma incessante busca mútua, visto que as nuances da vida insistiam em pô-los distantes um do outro.

As līlās (passatempos divinos) vivenciadas por Śrī Rādhākṛṣṇa se deram na cidade de Vṛndāvana, centro-norte da Índia. Obras como Brahmavaivarta Purāṇa e Devībhāgavatam Purāṇa narram alguns episódios, mas é no poema Gītā Govinda – composto por Jayadeva Gosvāmī – que a plenitude deste amor transcendental é exposta em sua forma mais profunda.

O auge de toda a relação acontece na Rāsalīlā, também conhecida como “a Dança do Amor Divino”, tido como um dos passatempos mais emblemáticos de Śrī Kṛṣṇa. Neste, as gopīs (vaqueiras, das quais Śrī Rādhā parte – e que, na verdade, são emanações da mesma) são atraídas à floresta, para longe de seus familiares e obrigações, ao serem encantadas pela música celestial que emana da flauta do Todo-Atraente.


Rāsalīlā, a dança transcendental do Amor Divino.

Por meio de uma sublime profundidade estética, o encontro é descrito com riqueza de sutis detalhes, que narram o encontro de Śrī Rādhā e suas emanações (todas as demais gopīs) em uma dança mística carregada de significados. Nela, Śrī Bhagavan multiplica-se através de sua Yogamāyā – a potência interna em forma de misericórdia, que permite a conexão com o Supremo através do êxtase transcendental do amor de Deus – para unir-se com cada uma das vaqueiras, que são a própria emanação de seu poder criativo (śakti; Śrī Rādhā). Śrī Kṛṣṇa também usa seus poderes para estender a duração desta noite a uma Noite de Brahmā (Senhor da Criação), cerca de 4,32 bilhões de anos terrestres.

Assim, este passatempo representa a união da consciência e da potência criativa de Deus, o masculino e o feminino, respectivamente. Revela, pois, a natureza transcendental do Absoluto, estabelecida além do tempo e espaço que, por sua vez, emanam dele e de seu poder infinito.

Tão poderosa é esta līlā que o Bhāgavata Purāṇa estabelece que todos aqueles que ouvirem ou descreverem-na com verdadeira fé, alcançam o puro amor devocional de Śrī Kṛṣṇa. De tão importante, ela não é apresentada publicamente dentro das tradições vaiṣṇavas. Seus profundos detalhes só são revelados para aqueles que já estão em um nível bastante avançado.

Invocações mântricas para o ritual

श्रीराधा
śrī rādhā

गायत्री
gāyatrī

ॐ वृषभानुजायै विद्महे
कृष्णप्रियायै धीमहि ।
तन्नो राधा प्रचोदयात् ॥

oṃ vṛṣabhānujāyai vidmahe
kṛṣṇapriyāyai dhīmahi ।
tanno rādhā pracodayāt ॥


Contemplamos Aquela que é filha de Vṛṣabhānu,
Meditamos na favorita de Kṛṣṇa.
Reverenciamo-nos à Esplendorosa, para que nos ilumine com sabedoria.

श्रीकृष्ण
śrī kṛṣṇa

गायत्री
gāyatrī

ॐ दामोदराय विद्महे
राधावल्लभाय धीमहि ।
तन्नो कृष्णः प्रचोदयात् ॥

oṃ dāmodarāya vidmahe
rādhā-vallabhāya dhīmahi ।
tanno kṛṣṇaḥ pracodayāt ॥

Contemplamos Aquele que é ligado pelo amor e afeição,
Meditamos no amado de Rādhā.
Reverenciamo-nos ao Todo-Atraente, para que nos ilumine com sabedoria.



harekṛṣṇasya mahāmantra (“o grande mantra harekṛṣṇa”)

हरे कृष्ण हरे कृष्ण
कृष्ण कृष्ण हरे हरे ।
हरे राम हरे राम
राम राम हरे हरे ॥

hare kṛṣṇa hare kṛṣṇa
kṛṣṇa kṛṣṇa hare hare
।
hare rāma hare rāma
rāma rāma hare hare
॥

Clamo pela śakti (potência energética, neste caso, Śrī Rādhā) d’Aquele que é o Todo-Atraente.
Clamo pela śakti (potência energética, neste caso, Śrī Sītā) d’Aquele em que todos encontram a felicidade (Śrī Rāma). *

* Obs.: As traduções dos de mantras variam de tradição para tradição. Neste caso,  tradução acima foi concebida a partir do pensamento da tradição Gauḍīya Vaiṣṇava, raiz do Movimento Harekṛṣṇa.

Mais informações e ingressos antecipados no Site da Ordem Polimata.

Acompanhe nossos eventos pelo Facebook através da página Agenda Polimata.

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārāja Ācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!

Todas as Glórias à 
Śrī Śrī Rādhākṛṣṇa!

Minhas mais humildes, sinceras e profundas reverências,
                                                                                                                                  
Yuri D. Wolf

ॐ

terça-feira, 5 de junho de 2018

ॐ Śrī Gaṅgā Daśaharā e Nārada Muni Jayanti - Sataṅgas à Senhora da Purificação e ao Mensageiro das Estrelas


Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Nārada Muni!
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Gaṅgā Devī!

Śrī Bhagavathī Gaṅgā.

श्रीगङ्गा स्तोत्रम्
śrīgaṅgā stotram

देवि सुरेश्वरि भगवति गङ्गे त्रिभुवनतारिणि तरऌअतरङ्गे |
शङ्करमौऌइविहारिणि विमले मम मतिरास्तां तव पदकमले || १ ||
devi sureśvari bhagavati gaṅge tribhuvanatāriṇi taraḷataraṅge |
śaṅkaramauḷivihāriṇi vimale mama matirāstāṃ tava padakamale || 1 ||

“Ó Venerável Deusa Gaṅgā, Senhora dos Deuses! Tu és o rio divino do céu, você é a salvadora de todos os três mundos. Tu és puro e inquieto, adornas a cabeça do Senhor Śiva. Ó mãe! que minha mente descanse sempre junto a teus pés de lótus.”

भागीरथिसुखदायिनि मातस्तव जलमहिमा निगमे ख्यातः |
नाहं जाने तव महिमानं पाहि कृपामयि मामङ्ञानम् || २ ||
bhāgīrathisukhadāyini mātastava jalamahimā nigame khyātaḥ |
nāhaṃ jāne tava mahimānaṃ pāhi kṛpāmayi māmaṅñānam || 2 ||

“Ó Mãe Bhāgīrathī (filha de Bhāgīratha) ! Você concede felicidade a todos. O significado de tuas águas sagradas é cantado nos Vedas. Sou ignorante, incapaz de compreender tua importância. O Devi! tu és plena em misericórdia, por favor protege-me.”

हरिपदपाद्यतरङ्गिणि गङ्गे हिमविधुमुक्ताधवऌअतरङ्गे |
दूरीकुरु मम दुष्कृतिभारं कुरु कृपया भवसागरपारम् || ३ ||
haripadapādyataraṅgiṇi gaṅge himavidhumuktādhavaḷataraṅge |
dūrīkuru mama duṣkṛtibhāraṃ kuru kṛpayā bhavasāgarapāram || 3 ||

Ó Deusa! Tuas águas são tão sagradas quanto o caraṇāmṛta (a água com a qual os pés de um santo foram lavados) do Senhor Hari. Tuas ondas são brancas como a neve, a lua e as pérolas. Por favor, lava todos os meus pecados e ajuda-me a atravessar este oceano de saṃsāra (o ciclo de nascimentos e mortes).

तव जलममलं येन निपीतं परमपदं खलु तेन गृहीतम् |
मातर्गङ्गे त्वयि यो भक्तः किल तं द्रष्टुं न यमः शक्तः || ४ ||
tava jalamamalaṃ yena nipītaṃ paramapadaṃ khalu tena gṛhītam |
mātargaṅge tvayi yo bhaktaḥ kila taṃ draṣṭuṃ na yamaḥ śaktaḥ || 4 ||

“Ó Mãe! aqueles que adentram tuas águas cristalinas definitivamente atingem o mais elevado estado. Ó Mãe Gaṅgā! Yama (Senhor da Morte) não pode prejudicar teus devotos.”

पतितोद्धारिणि जाह्नवि गङ्गे खण्डित गिरिवरमण्डित भङ्गे |
भीष्मजननि हे मुनिवरकन्ये पतितनिवारिणि त्रिभुवन धन्ये || ५ ||
patitoddhāriṇi jāhnavi gaṅge khaṇḍita girivaramaṇḍita bhaṅge |
bhīṣmajanani he munivarakanye patitanivāriṇi tribhuvana dhanye || 5 ||

“Ó Jāhnavī (filha do sábio Jahnu)! A fluência de tuas águas através dos Himalaias torna-te ainda mais bela. Tu és Mãe de Bhīṣma e filha do sábio. És a salvadora das almas desviadas de seu caminho, e então és reverenciada em todos os três mundos.”

कल्पलतामिव फलदां लोके प्रणमति यस्त्वां न पतति शोके |
पारावारविहारिणि गङ्गे विमुखयुवति कृततरलापाङ्गे || ६ ||
kalpalatāmiva phaladāṃ loke praṇamati yastvāṃ na patati śoke |
pārāvāravihāriṇi gaṅge vimukhayuvati kṛtataralāpāṅge || 6 ||

“Ó Mãe! Tu realizas todos os desejos daqueles a ti dedicados. Aqueles que se curvam-se a ti não precisam afligir-se. Ó Gaṅgā! Tu anseias para se fundir com o oceano, assim como uma jovem anseia em conhecer seu amado.”

तव चेन्मातः स्रोतः स्नातः पुनरपि जठरे सोपि न जातः |
नरकनिवारिणि जाह्नवि गङ्गे कलुषविनाशिनि महिमोत्तुङ्गे || ७ ||
tava cenmātaḥ srotaḥ snātaḥ punarapi jaṭhare sopi na jātaḥ |
narakanivāriṇi jāhnavi gaṅge kaluṣavināśini mahimottuṅge || 7 ||

“Ó Mãe! aqueles que se banham em tuas águas não precisam nascer novamente. Ó Jāhnavī! Tu és prezada na mais elevada estima, destróis os pecados de teus devotos e os salva do inferno.”

पुनरसदङ्गे पुण्यतरङ्गे जय जय जाह्नवि करुणापाङ्गे |
इन्द्रमुकुटमणिराजितचरणे सुखदे शुभदे भृत्यशरण्ये || ८ ||
punarasadaṅge puṇyataraṅge jaya jaya jāhnavi karuṇāpāṅge |
indramukuṭamaṇirājitacaraṇe sukhade śubhade bhṛtyaśaraṇye || 8 ||

“O Jāhnavī! tu és plena em compaixão, purificas teus devotos com tuas águas sagradas. Teus pés estão adornados com as gemas da coroa de Indra (Rei dos Deuses), aqueles que buscam refúgio em ti são abençoados com a felicidade.”

रोगं शोकं तापं पापं हर मे भगवति कुमतिकलापम् |
त्रिभुवनसारे वसुधाहारे त्वमसि गतिर्मम खलु संसारे || ९ ||
rogaṃ śokaṃ tāpaṃ pāpaṃ hara me bhagavati kumatikalāpam |
tribhuvanasāre vasudhāhāre tvamasi gatirmama khalu saṃsāre || 9 ||

“Ó Bhagavatī! remove minhas doenças, tristezas, dificuldades, pecados e atitudes erradas. Tu és a essência dos três mundos. És como um colar ao redor da Terra. Ó Deusa! tu sozinha é meu refúgio neste saṃsāra.”

अलकानन्दे परमानन्दे कुरु करुणामयि कातरवन्द्ये |
तव तटनिकटे यस्य निवासः खलु वैकुण्ठे तस्य निवासः || १० ||
alakānande paramānande kuru karuṇāmayi kātaravandye |
tava taṭanikaṭe yasya nivāsaḥ khalu vaikuṇṭhe tasya nivāsaḥ || 10 ||

“Ó Gaṅgā! aqueles que buscam a felicidade te adoram. Tu és a fonte de felicidade para Alakapurī (cidade onde nasce o Rio Alakānandā), és a fonte de felicidade eterna. Aqueles que residem em seus bancos são tão privilegiados quanto aqueles que vivem em Vaikuṇṭha (o plano celestial de Śrī Viṣṇu).”

वरमिह नीरे कमठो मीनः किं वा तीरे शरटः क्षीणः |
अथवाश्वपचो मलिनो दीनस्तव न हि दूरे नृपतिकुलीनः || ११ ||
varamiha nīre kamaṭho mīnaḥ kiṃ vā tīre śaraṭaḥ kṣīṇaḥ |
athavāśvapaco malino dīnastava na hi dūre nṛpatikulīnaḥ || 11 ||

“Ó Deusa! É melhor viver em tuas águas como uma tartaruga ou um peixe, ou viver em suas margens como pobre pária sem-casta, do que viver longe de ti como um rei próspero.”

भो भुवनेश्वरि पुण्ये धन्ये देवि द्रवमयि मुनिवरकन्ये |
गङ्गास्तवमिमममलं नित्यं पठति नरो यः स जयति सत्यम् || १२ ||
bho bhuvaneśvari puṇye dhanye devi dravamayi munivarakanye |
gaṅgāstavamimamamalaṃ nityaṃ paṭhati naro yaḥ sa jayati satyam || 12 ||

“Ó Senhora do Universo! Tu purifica-nos. Ó Filha do muni Jahnu! aquele que recita este Gaṅgā Stotram todos os dias, definitivamente alcança o sucesso.”

येषां हृदये गङ्गा भक्तिस्तेषां भवति सदा सुखमुक्तिः |
मधुराकन्ता पञ्झटिकाभिः परमानन्दकलितललिताभिः || १३ ||
yeṣāṃ hṛdaye gaṅgā bhaktisteṣāṃ bhavati sadā sukhamuktiḥ |
madhurākantā pañjhaṭikābhiḥ paramānandakalitalalitābhiḥ || 13 ||
“Aqueles que têm devoção pela Mãe Gaṅgā sempre obtêm felicidade e alcançam a liberação. Este lindo louvor lírico é uma fonte de suprema felicidade.”


गङ्गास्तोत्रमिदं भवसारं वांछितफलदं विमलं सारम् |
शङ्करसेवक शङ्कर रचितं पठति सुखीः तव इति च समाप्तः || १४ ||
gaṅgāstotramidaṃ bhavasāraṃ vāṃchitaphaladaṃ vimalaṃ sāram |
śaṅkarasevaka śaṅkara racitaṃ paṭhati sukhīḥ tava iti ca samāptaḥ || 14 ||


“Este Gaṅgā Stotram, escrito por Śrī Ādi Śaṅkarācārya, devoto do Senhor Śiva, purifica-nos e realiza todos os nossos desejos.”

Śrī Gaṅgā Devī (श्रीगङ्गाडेवी) é a personificação do Rio Ganges, o mais sagrado rio da Índia. É a Senhora da purificação, que limpa o coração e remove o karman, aproximando as almas de mokṣa – a liberação do saṃsāra, o ciclo de nascimentos e mortes.

Neste mês de junho, nos Templos Polimata de Campinas (09/06), Mairiporã (16/06) e Boituva(30/06), celebraremos a enaltecedora Gaṅgā Daśaharā em nossos satsaṅgas. Trata-se do festival de celebração da descida de Śrī Gaṅgā, a Senhora da Purificação, à Terra.

Adicionalmente, honraremos as Glórias de Nārada Muni, o famoso mensageiro vaiṣṇava das estrelas, que carrega o amor e devoção por entre os planos astrais, e que é tido por algumas tradições como o fundador do hinduísmo em nosso planeta. Um texto completo sobre o mesmo será publicado em breve.

Śrī Nārada Muni.

A Gaṅgā Daśaharā é celebrada por toda a Índia, entre os meses de maio e junho, enaltecendo a manifestação da Mãe Tripathagādevī (“a deusa que atravessa os três mundos – causal, espiritual e material) em nosso planeta, que desce do plano celestial aos cabelos de Śrī Śiva, atendendo a um profundo clamor de misericórdia, realizado pelo Rei Bhagīratha.

Celebração da Gaṅgā Daśaharā no Hara Ki Paura, na cidade de Haridvāra (Haridwar), local onde a Senhora da Purificação desce do plano celestial sobre as madeixas de Śrī Śiva.

Na tradição Śakta, Śrī Bhagavatī Gaṅgā é uma das sete śaktis da Suprema Absoluta Ādi Paraśakti. Auspiciosamente, acompanha os três membros da Trimūrti, a trindade masculina do panteão hindu: Śrī Brahmā, Śrī Viṣṇu e Śrī Śiva.

Junto à Śrī Viṣṇu, é conhecida como Viṣṇupadī (Aquela que emana dos pés de lótus do Senhor), devido a um passatempo realizado por Śrī Vāmana, o anão – a quinta encarnação de Śrī Bhagavan – que, ao medir o tamanho do Universo com a abertura de suas pernas, abre neste um pequeno buraco com seu dedão esquerdo, que permite a entrada de Kāraṇārṇava (o Oceano Causal) sob a forma do Rio Ganges. Daí, flui para  Brahmaloka, a morada de Śrī Brahmā, onde se mantém por um longo período, para então adentrar em nosso planeta (Bharataloka), personificado como Śrī Gaṅgā, onde é recebida por Śrī Śiva, de quem também é consorte.


Śrī Vāmana, realizando o passatempo Trivikrama, que liberou o fluxo de Śrī Gaṅgā.

Está montada em Makara, o crocodilo, símbolo de proteção e devoção. A flor de lótus e o kamaṇḍalu (pote de água utilizados por brahmanas e ascetas) representam a purificação e as mudrās emanam a benevolência (varada) e o destemor (abhaya).

Sua descida à Terra se deu através das preces e sacrifícios executados em honra à Śrī Brahmā por Bhagīratha – cujo nome pode ser livremente traduzido como “aquele que realiza um grande árduo trabalho” – um virtuoso rei do estado de Kosala e antepassado de Śrī Rāma.

Este processo de mil anos foi necessário para a libertar as almas de seus sessenta mil tios-avôs de uma maldição proferida pelo Kapila Ṛṣi – famoso sábio fundador da Filosofia Sāṃkhya –, que os pulveriza com apenas um olhar, como castigo por terem-no acordado de seu profundo transe e por causarem uma onda de destruição da natureza, enquanto buscavam um cavalo sequestrado por Indra, o temperamental Rei dos Devas, Senhor da Tempestade.

Após a conclusão dos sacrifícios (tapas), Śrī Brahmā concede um pedido a Bhagīratha, que solicita um rio divino para realizar uma cerimônia, com o intuito de libertar as almas de seus antepassados. Tarefa esta que já havia sido almejada por outros reis de Kosala, sem sucesso. Tal desequilíbrio vinha causando diversos desastres naturais na região.

Śrī Gaṅgā Devī então é enviada por Śrī Brahmā, descendo com enorme força do plano celestial (svargaloka), visto que após eras sendo constantemente adorada pelos Devas, desenvolveu grande vaidade. Assim, sua correnteza era tamanha que, caso tocasse diretamente a Terra, causaria grande destruição em nosso plano (bhuvarloka).

Śrī Śiva, então, se põe misericordiosamente no caminho de Śrī Gaṅgā e amortece sua descida com seus cabelos, o que lhe dá o título de Gaṅgādhara (Aquele que recebe Gaṅgā), purificando-a de sua soberba. Todavia, Ela ainda destrói o monastério do sábio Jahnu que, irado, engole a Devī e só a liberta após a insistência dos outros Devas, lhe rendendo o título de Jāhnavī (“filha de Jahnu”).

Śrī Patitoddhāriṇī, "aquela que descendeu à Terra", e Śrī Gaṅgādhara ao centro. Abaixo, o Rei Bhagīratha.

Posteriormente, Bhagīratha guia Śrī Gaṅgā pelo território indiano e através submundo, onde encontravam-se as cinzas dos seus sessenta mil tios-avôs, libertando-os aos céus. Assim, por atravessar Svargaloka (o plano celestial), Pṛthvī (a Terra) e Pātāla (o submundo), Ela também é conhecido como Tripathagā (Aquela que flui dos céus às regiões mais baixas”).

Como Mãe, Śrī Gaṅgā é Aquela que aceita e purifica a todos. Enquanto śakti, é a potência da fertilidade do aspecto criador de Śrī Mahādeva, que se movimenta eternamente. Divina, é água e pode ser sentida e absorvida mais facilmente neste plano menos sutil. Ademais, seu processo de descida do plano celestial (avataraṇa) não se deu diretamente, uma única vez, mas continua a acontecer, num fluxo contínuo dos céus à Terra.

Desta forma, o festival recebe o nome de Daśaharā – onde, em sânscrito, daśa significa ”dez” e hara conota a ideia de “derrota”, “superação”. Assim é chamado pois, nesta data, o processo devocional à Śrī Śuddhā (“aquela que é pura”) torna possível a seus devotos (bhaktas) a erradicação de até dez resultados negativos das ações passadas (karman).

Esta comemoração evoca a Senhora Jāhnavī (“a filha de Jahnu Muni”), principalmente, em sua qualidade Mahāpātakanāśinī, “a grande destruidora dos pecados”, capaz de abluir o sofrimento – considerando o estágio de evolução espiritual, que varia de pessoa para pessoa – daqueles que rendem-se à sua infinita benevolência.

Assim sendo, a celebração da Gaṅgā Daśaharā envolve profunda introspecção, relacionada à reflexão acerca de nossas ações. Permite-nos, então, observar como o Universo responde aos nossos movimentos, para que possamos realizar, de fato, a qualidade de nossas intenções e o nível sincero de nossos esforços.

Portanto, a purificação concedida por Śrī Pāpahantrī (“aquela que destrói as vicissitudes”) depende da transcendência de nossas próprias limitações. Esta, por sua vez, é fruto da sabedoria conquistada por aqueles que reconhecem o karman – neste caso, encarado em seu significado neutro, como o fruto da experiência de interação com o Universo, e não com a conotação negativa usualmente adotada para este termo – como a mais poderosa ferramenta cósmica de aprendizado.

Śrī Gaṅgā na cidade de Hṛṣīkeśa (Rishkesh).

Invocações mântricas para o ritual:
गायत्री  
gāyatrī (métrica védica de 24 sílabas, usualmente utilizada na invocação das Deidades)


ॐ त्रिपथगामिन्यै विद्महे
रुद्रपत्न्यै च धीमहि ।
तन्नो गङ्गा प्रचोदयात् ॥

oṃ tripathagāminyai vidmahe 
rudrapatnyai ca dhīmahi ।
tanno gaṅgā pracodayāt ॥

”Contemplamos Aquela que descende do plano celestial aos planos inferiores,
Meditamos na Esposa de Rudra
Reverenciamo-nos àquela que flui vivazmente, para que nos ilumine com sabedoria.”

बीजमन्त्र   
bījamantra (contém a sílaba mística raiz da Deidade – para ser repetido 108 vezes na contagem da japamālā)


ॐ गं गङ्गायै नमः

oṃ gaṃ gaṅgāyai namaḥ

“Reverencias àquela que flui vivazmente.”

Sobre o bīja “gaṃ”: sílaba que remete a movimento, pureza, e renovação.

      Mais informações e ingressos antecipados no Site da Ordem Polimata.

      Acompanhe nossos eventos pelo Facebook através da Agenda Polimata.

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!

Todas as Glórias à Śrī Nārada Muni!

Todas as Glórias à Śrī Śrī Gaṅgādevī!

Minhas mais humildes, sinceras e profundas reverências,
                                                                                      
Yuri D. Wolf

ॐ स्नेह एवोत्तरम् ।
ज्योतिरेव मार्गः ॥