domingo, 24 de julho de 2011

Imagens de um Domingo

Comecemos pelos guardiões do Ashram, a Xingu e a Cacau.

cacau e xingu

Colhendo a salada nossa de cada Dia.

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Contruindo a Terma Mescal, Sauna Xamanica ….

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O Acarya trabalhando e descansando, e só ele olhar para a camera que normalmente provoca algo, veja a fumaça envolta.

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E o tucano que ficou nos observando enquanto trabalhavamos e o jacu que trouxe o final de nosso lavouro de hoje.

tucano

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sábado, 23 de julho de 2011

A Vulgarização da Espiritualidade e seus Niveis

A cada geração, novos conceitos surgem e tabus são ultrapassados. Nossa realização junto ao Supremo difere mediante a cultura e a época em que se encontra manifestada.

imagesCARUQV12Como os antigos, vivenciamos a renovação, a reciclagem de antigos conceitos e princípios espirituais, os quais, neste mundo material, podem ser verificados dentro de três princípios básicos, relacionados ao padrão vibracional a que estamos conectados.

Baixa Espiritualidade – primeiramente, é de bom tom esclarecer que se trata de nível hierárquico de trabalho espiritual, de acordo com o nível de espiritualidade das pessoas que trabalham esse caminho – todos os níveis da espiritualidade devem ser trabalhados para que haja equilíbrio no plano. Assim, por baixa espiritualidade deve ser compreendido o nível mais básico, o equivalente aos primeiros degraus do caminho espiritual. Dentro desta linha encontram-se doutrinas que possuem a hierarquia espiritual mais próxima da densidade material, algumas vezes com princípios filosóficos ligados ao aprisionamento do Ser para a sua futura libertação. Os caminhos relacionados à baixa espiritualidade trabalham, geralmente, com a compaixão e o consolo das dificuldades humanas, sendo mais complacente com os erros cometidos em função da limitação do nível de consciência do ser humano encarnado neste plano.

Média Espiritualidade – O caminho do Meio encontra-se entre a densidade mais próxima da matéria e a sutileza das hierarquias espirituais mais elevadas, muitas vezes levando a um contato mais próximo com o Supremo (Judaísmo, Umbanda, Confucismo, Bruxaria, Religiões Daimistas, dentre outras)

imagesCADG52L3Alta Espiritualidade – Na alta espiritualidade há a ligação direta com as mais altas hierarquias espirituais que podem ser acessadas. O padrão energético é extremamente sutil, com princípios ligados diretamente à libertação total do Ser, a nível espiritual, emocional e material. É um caminho mais exigente por envolver níveis de consciência mais elevados, trabalhando com o esclarecimento àqueles que percorrem tais caminhos. Por serem doutrinas que buscam a libertação, trabalham com a verdade (“Conheces a verdade e a verdade vos libertará”). São raras as almas que conseguem atender à exigência desse caminho intenso e profundo. (Hinduísmo, Budismo, Xamanismo, Taoísmo, Hermetismo)

Apesar de todos os caminhos de busca da espiritualidade estarem disponíveis, com a vida moderna nossos valores e princípios mudaram de uma forma tal, que se tornou difícil a possibilidade de uma profunda rendição em busca de realização espiritual. A determinação e a seriedade perante o caminho tornou-se conflitiva.

Particularmente, sigo um principio que busca uma profunda cognição, visando tornar-me o próprio caminho, seja ele qual for. Nesta senda, trilhei vários caminhos, inclusive o monastério. Às vezes, fico chateado pelo fato de que o aprofundamento do Ser em sua caminhada espiritual “não é moda”. Se virasse moda, como tantas que temos em nossa sociedade moderna, o mundo seria bem melhor.

imagesCA2OLISAO caminho, em especial no ocidente, é muitas vezes centralizado na via material, pela busca do vil metal, que representa oposto da verdadeira busca espiritual. Muitos acreditam que algum curso de “final de semana”, possam realmente transformá-lo em sacerdote, xamã, mago, alquimista, cabalista ... e assim correm os vãs títulos que iludem nosso ego e tapeiam nossa busca. A espiritualidade, infelizmente, não é algo que se compre, passando um cartão de crédito.

Os cursos, tão comuns nas grandes cidades, possuem sua importância na disseminação do conhecimento, levando o buscador a iniciar-se dentro de uma linha. Porém, a espiritualidade não funciona como uma faculdade, da qual você sai com um diploma, habilitado a exercer a profissão na qual se formou. Na espiritualidade, muitas vezes a realização de um curso pode não acrescer nada para aquele que o realizou. Assim como muitas pessoas, que nunca fizeram um curso sequer, muitas vezes até analfabetas (em nossos conceitos civilizados apenas, destaque-se), é muito mais espiritualizada que vários doutores formados em nossas universidades (os xamãs indígenas que o digam...). Quero destacar, que a realização de um curso que envolva questões espiritualistas, por si só, não faz a pessoa realizadora do mesmo.

Mais importante do que acumular títulos é sua realização. Por realização entenda-se trazer tais ensinamentos para a nossa vida diária e, assim, transformar este despertar numa nova dimensão existencial para si próprio e para as pessoas que se encontram envoltas a nós. Mais importante que qualquer curso, é a espiritualidade que praticamos no dia-a-dia, buscando conhecer melhor a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor e, com sorte, conseguirmos perdoar a nós mesmos por ainda sermos tão egoístas e termos tantas tentações fúteis, erros grosseiros e desamor. Com mais sorte ainda, conseguirmos também perdoar aos demais ao nosso redor pelos mesmos erros que cometemos todos os dias. Quem sabe um dia, realmente amarmos uns aos outros incondicionalmente (um dia chego lá...).

Por. Acarya Maha Surya Pandit

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pequeno Tratado de Mantra Yoga

 

“ A oração (Mantra) é a única ação apoiada por uma vontade totalmente livre. Na oração (Mantra), o Senhor é invocado e o resultado é a Graça. Existe uma oração para cada objetivo a ser alcançado, invocando o Senhor em vários aspectos.”
Swami Dayananda Saraswanti

Introdução

O mantra é uma das formas de se conectar com O Supremo de forma direta ou indireta, através de suas manifestações. Quando rezamos, falamos com Deus, estamos construindo os nossos mantras pessoais.
A palavra Mantra vem do sânscrito, deriva da raiz Man e do sufixo Tra, derivada de Manas (mente, pensar), Trana (controle). Em outras palavras, controle da mente, porém no sentido de emitir vibrações sonoras que produzem efeitos determinados sobre a mente humana e sobre o ambiente em que vivemos.
A ciência manifestou seu conhecimento ao revelar que todo o som, através da vibração, opera sobre os corpos, afetando o seu ordenamento molecular.
gayatrimantra196-fullNesse momento pessoal e de divina inspiração, nos conectamos com o mundo espiritual, com a energia sutil, e, dentro desta manifestação material, conseguimos algumas chaves para acessar diretamente esta energia. Quando entramos em equilíbrio com estas duas energias, cria-se a energia necessária para rodar Samsara, assim podemos entrar no jogo e vibrações de Deus, Universo, Arquiteto, Krsna, Brahman..........chame como quiser.


“No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”
Evangelho de São João 1.1


Na Bíblia e na Torat, Deus manifesta o Verbo. No Brasil verificamos a ação mântrica nas rezadeiras do interior deste país. Não importa a filosofia, religião, doutrina, cultura, todos utilizam a ação dos mantras de alguma forma, cada um mediante a sua cultura. Muda-se a forma, porém não o conteúdo. Em resumo, a manifestação do verbo, enquanto momento de conexão com o Supremo, é o próprio Supremo. Os Salmos podem ser compreendidos de várias formas, como ação mântrica, no momento de conexão com Deus, sem falarmos que também é uma ação de invocação de pura magia.
O cristianismo também possui invocação mântrica clara. Sabemos como Jesus Cristo utilizava o verbo, como materialização espiritual dentro da matéria, as invocações de magia e mântricas de Moisés.
Na magia, as invocações e a própria manifestação da palavra são ações mágicas, que construímos ou aprendemos dentro de nossas tradições. Muitos feitiços são proferidos pela palavra. A Deusa e os Deuses são invocados através de orações antigas em outros idiomas, construídas por outros magos e bruxos ou mesmo construídas por nós mesmos.
No xamanismo encontramos pajés cantando em homenagem a Tupã, invocando o espírito de cura da da natureza. Com o verbo e sua dança cósmica, o xamã entra e sai do mundo espiritual, manifesta a sabedoria espiritualmente, ou mesmo manifesta a chuva materialmente, e, em todas estas ações manifestam-se os mantras.
Há milhares de anos, os Hindus já reconheciam tal realidade. Assim, dando origem ao enorme acervo de códigos sonoros, as sílabas sagradas ou Mantras vêm entrando na vibração do Universo.
Os Vedas rezam muitas das possibilidades de realização com a manifestação de cada mantra. No Mahabharata há mantras para realização espiritual, saúde, limpeza do prana, limpeza dos chakras, conexção com os Semi Deuses, busca de poderes yóguinos, superar obstáculos, guerra e a própria conexão com o Supremo. Na batalha de Kuruksetra, foi falado o Bhagavad Gita, onde o Senhor Krsna disse:

“Fechando-se aos objetos sensoriais externos, mantendo os olhos e a visão concentrados entre as duas sobrancelhas, suspendendo dentro das narinas os alentos que entram e que saem, e, assim, controlando a mente, os sentidos e a inteligência, o transcendentalista que visa à liberação livra-se do desejo, do medo e da ira. Alguém que está sempre neste estado é de certo liberada”
Bhagavad Gita – cap. 5, verso 27 e 28

Dentro de algumas Sampradayas hindus (doutrinas filosóficas), a realização espiritual, por alguns chamada de Moska, pode ser alcançada através dos mantras, como acontece nas escolas que utilizam o Maha-Mantra. Enquanto que para muitas sampradayas é utilizada somente para a limpeza dos chakras e do prana, fora toda a sua estrutura de oração e comunicação com o plano espiritual.

Exitem vários tipos de mantras, na sua maioria eles são usados para:
• Elevar o nível de consciência
• Desenvolver a espiritualidade
• Despertar poderes psíquicos
• Invocar proteção
• Tranqüilizar a mente
• Facilitar a concentração

Muitas sampradayas realizaram que sua origem está no Rig Veda, que é composto por cânticos a Agni (Deus do Fogo). Enquanto outras
sampradayas colocam o Senhor Shiva, na forma de Nataraja como manifestador das vibrações que constituem os mantras.
Os deuses hindus possuem diferentes nomes mediante a ação em que estão participando. Sri Shiva é Nataraja enquanto está realizando a dança cósmica para a destruição material, para que Brahma possa novamente criar.
imagesCA37P1OGNa dança cósmica de Nataraja, que ocorre no momento da destruição do mundo material, foram ouvidos, juntamente com o som do tambor, os aforismas, que recebem o nome de Mantras.
Segundo uma terceira visão, os yogues e sábios meditavam em uma caverna onde o silêncio era absoluto. Enquanto meditavam em diferentes vibrações, ouviram 50 diferentes vibrações relacionadas aos 7 chakras, o que se constituiu no alfabeto sânscrito. Através desta combinação foram criados os mantras.
O mundo dos mantras é muito diversificado. Passarei a visão teórica e prática das várias escolas hindus (vaisnava, vedanta, tântrica) magia (wicca, bruxaria, thelema, alta magia), gnose, islamismo, budismo, cristianismo, neurolinguística entre outras.
Mais do que simplesmente uma ação de repetição, a compreensão de como o verbo, mantra, oração e mesmo a palavra podem representar uma ação de compreensão, força, poder. Tais ações foram realizadas por grandes iniciados como Papus, Eliphas Levi, Siddharta Gautama, Sri Krsna, Sri Rama, Caitanya Mahaprabhu, Jesus Cristo, Mahavir, Zaratustra, Guru Nanak, Sri Shiva, Maomé, Moisés, Profeta Elias, São Francisco de Assis e, mesmo dentro da ciência terrestre, extraterrestre e intraterrestre, entre tantos outros. Não importa no que você acredite, a ação do verbo é reconhecida claramente.
Devido à ciência mântrica ser mais desenvolvida dentro da raiz do hinduísmo, estarei baseando este Pequeno Tratado nesta direção, e as outras escolas terão seus devidos capítulos.

Retirado da Introdução do Pequeno Tratado de Mantra Yoga de Acarya Maha Surya Pandit